Por que o DevOps ainda falha no dia a dia?

By 21 de outubro de 2026Artigos

Se você acompanha a área de tecnologia, sabe que a cultura DevOps já provou o seu valor. Na teoria, o desafio de unir quem desenvolve o software e quem mantém a estrutura funcionando está resolvido.

Mas a realidade que encontramos nas empresas é bem diferente. É comum ver uma adoção apenas superficial do conceito: automatizam-se alguns processos, cria-se uma equipe isolada chamada “DevOps” e o trabalho é considerado concluído. O problema é que essa colaboração não funciona na prática sem o apoio real da gestão.

Muitas vezes, a liderança enxerga a infraestrutura apenas como um custo, e não como a base da operação. É o pensamento de “meu foco é vender, servidor é apenas gasto”. Com essa visão, para lançar produtos mais rápido, as áreas de negócio pedem para cortar o que chamam de burocracia: testes, monitoramento estruturado, configuração de ambiente e planejamento de capacidade.

O que a gestão esquece é que ignorar esses requisitos técnicos essenciais é assumir um problema futuro. Mais cedo ou mais tarde, essa falta de estrutura pode resultar em indisponibilidade no sistema, perda de produtividade, retrabalho e, principalmente, impacto direto para o negócio.

O problema real da comunicação e a falta de responsabilidade compartilhada

Na edição de 2025 da Pesquisa Postgres em Foco, mais de 71% das pessoas consideraram a comunicação em suas equipes como “boa” ou “muito boa”. Mas, ao compararmos esse dado com a realidade dos nossos atendimentos, fica claro que a eficiência de uma comunicação não se mede apenas pela percepção do time, mas pelos resultados que ela gera na operação.

Existe uma ideia falsa de que apenas enviar um aviso resolve a comunicação. Uma pessoa do time de desenvolvimento atualiza um sistema importante na sexta-feira no fim do dia, manda uma mensagem no chat e sai de folga. O deploy da nova versão é lançado. Se o banco de dados falhar na madrugada de sábado, a equipe de infraestrutura fica sozinha para descobrir o erro.

Essa falta de retorno mostra que não existe uma responsabilidade compartilhada sobre o que vai para o ar. O problema não está necessariamente em quem fez o deploy ou em quem estava de plantão. Está no processo que permite que uma mudança importante aconteça sem que as pessoas responsáveis pela operação tenham contexto suficiente para acompanhar seus impactos.

Se a comunicação direta apresenta falhas, o monitoramento dos sistemas deveria servir como o ponto de alinhamento entre as equipes. No entanto, é muito comum encontrarmos painéis de acompanhamento que mostram que tudo está bem na infraestrutura, quando na verdade o cliente está enfrentando problemas.

A equipe de TI olha para as métricas, vê que o uso de processador e memória do banco de dados está normal e afirma que o sistema está saudável. Enquanto isso, na ponta da operação, o cliente está levando 8 segundos para conseguir finalizar uma compra no site.

Ferramentas de monitoramento isoladas da realidade da empresa não ajudam a operação. O monitoramento precisa conectar o que é crítico para o negócio, como o tempo exato para emitir um boleto, até o detalhe mais técnico no banco de dados. Sem essa visão completa, as equipes vão continuar gastando tempo em melhorias que não resolvem os problemas reais da empresa.

O desafio da prática

Faça um exercício simples na sua próxima segunda-feira: pergunte ao seu time de desenvolvimento qual foi a funcionalidade mais crítica lançada na última semana. Em seguida, pergunte ao time de infraestrutura e banco de dados quais métricas eles estão monitorando para garantir que essa funcionalidade específica está funcionando bem.

Se as respostas não se conectarem, você encontrou o seu primeiro gargalo.

O DevOps só começa de verdade quando o sucesso do código e a saúde da infraestrutura deixam de ser acompanhados como coisas separadas. Isso significa compartilhar responsabilidades, métricas e, principalmente, uma mesma compreensão sobre o que representa uma operação saudável para o negócio.

Quando a tecnologia deixa de ser apenas operação

Esse é um dos pontos em que a diferença entre adotar uma prática e realmente incorporá-la à operação fica mais evidente.

DevOps não se resume à automação de processos ou à criação de novos fluxos de trabalho. A mudança depende de uma visão integrada sobre tecnologia, pessoas e negócio. Desenvolvimento, infraestrutura, banco de dados e gestão precisam entender como suas decisões se conectam e quais impactos elas podem gerar ao longo do tempo.

Isso também muda a forma como os problemas são tratados. Em vez de atuar apenas quando algo quebra, a equipe passa a buscar sinais que indiquem riscos, entender as causas dos problemas e criar condições para que eles não se repitam.

Na prática, isso significa sair de uma atuação predominantemente reativa para uma operação mais previsível. Significa transformar monitoramento em uma visão mais ampla do ambiente, automatizar aquilo que consome tempo sem gerar valor e criar processos que permitam que as equipes trabalhem de forma coordenada.

Essa evolução não acontece apenas com a adoção de novas ferramentas. Ela exige mudanças na forma de tomar decisões e de enxergar a própria tecnologia dentro da empresa.

Do discurso à prática

A distância entre o que uma organização diz sobre DevOps e a forma como ela realmente opera aparece justamente nos detalhes: quem é responsável por uma mudança depois que ela entra em produção? Quais métricas determinam se uma funcionalidade foi bem-sucedida? O time consegue identificar um problema antes que ele chegue ao cliente? As decisões de infraestrutura consideram o crescimento esperado do negócio?

São perguntas que ajudam a revelar se a tecnologia está apenas sustentando a operação atual ou se também está sendo preparada para acompanhar as necessidades futuras.

A transformação começa quando essas perguntas deixam de ser responsabilidade de uma única área e passam a fazer parte das decisões da organização. É nesse ponto que práticas como observabilidade, automação, confiabilidade e planejamento deixam de ser apenas conceitos técnicos e passam a contribuir para uma gestão de tecnologia mais sustentável.

Entender essa mudança exige olhar além das ferramentas e dos processos. É preciso compreender como a evolução da tecnologia está transformando os papéis profissionais, as responsabilidades das equipes e a própria relação entre TI e negócio.

Se as respostas do seu time não bateram, use o nosso mapa estratégico para unificar seus indicadores!?

No white paper O Mapa Estratégico para Navegar na Nova Era da TI, exploramos essas transformações e os caminhos para evoluir de uma atuação focada apenas na sustentação da operação para uma visão mais estratégica, previsível e sustentável da tecnologia.

Leia o white paper completo e conheça o mapa estratégico para saber como passar no “teste da segunda-feira”.

[Ler o White Paper]

Share